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A Camponesa Perspicaz

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Grupo Oficina de Bonecos
A História:
A muito tempo na Armênia um príncipe chamado Vachagan se perde em um deserto, depois de uma luta feroz contra um grande urso, e em meio a paisagem encontra um vilarejo e um poço. Cheio de sede ele corre para beber sua água, mas ao pegar o caneco uma bela camponesa não permite que ele a beba. Depois de alguns minutos, a camponesa entrega o caneco para o príncipe que mata sua sede. Ao ficar intrigado com a atitude da jovem tem uma conversa com ela, e descobre que seu nome é Anaeet e além de bela é muito inteligente. Ele pega seu cavalo e volta ao palácio, sem deixar que a camponesa soubesse que ele se tratava de um príncipe , e ao chegar no palácio anuncia que achou o amor de sua vida. Ele envia um mensageiro para casa de Anaeet com o pedido de casamento, e o mensageiro é surpreendido com uma pergunta: “Qual é o oficio de um príncipe?”. Ao explicar que o príncipe não precisava de um oficio pois ele tinha muitos servos para lhe servir, a resposta da camponesa foi não, pois hoje príncipe, amanhã mendigo. Todos precisam ter um oficio, já que não sabemos o dia de amanhã.
O mensageiro voltou com a resposta e Vachagan não fica ofendido, e achou a atitude de Anaeet muito perspicaz e com todos os sábios do castelo, decidiram que o melhor oficio para um príncipe é a Tecelagem, e ele aprendeu tão bem o ofício que fez um belo tapete para Anaeet como pedido de casamento e então ela o aceitou como marido. Após a morte do rei e da rainha o casal foi coroado e reinavam felizes e com muita sabedoria, principalmente pela rainha Anaeet. De repente chegou a eles que vários homens do reino estavam desaparecendo e a rainha pediu a Vachagan que se disfarçasse de camponês e se misturasse com o povo, e assim ele fez. Depois de vagar muito tempo pelo reino, o rei viu uma aglomeração de homens escutando uma música vinda de um homem muito misterioso, e todos hipnotizados pela canção foram parar em uma caverna onde o mesmo homem se revela terrível e os força a trabalhar como escravos até a morte, porém que não tivesse um oficio morreria imediatamente. O rei se colocou na frente e disse que ali existiam os melhores tecelões do mundo e que juntos iriam fazer o melhor e o mais bonito tapete que já existiu. Na verdade, além de salvar os homens, Vachagan tem a ideia de colocar no tapete um mensagem secreta que só Anaeet poderia entender e salva-los. Pronto o tapete, o homem misterioso foi convencido pelo rei a vendê-lo para a rainha e assim como o esperado, Anaeet ao ver o tapete, prendeu o homem e com o exercito foi salvar o rei e todos os prisioneiros. Ao clamarem vivas a rainha Vachagan explicou que a vida deles havia sido salva duas vezes, uma naquele dia e a outra no passado, quando Anaeet se recusou a casar com um homem sem oficio. Viva a inteligência e a perspicaz da Rainha Anaeet.

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A Origem da História:
A história de Anaeet a Perspicaz chegou ao grupo Oficina de Bonecos através do livro O Tecido dos Contos Maravilhosos, contos de lugares distantes, traduzido do inglês The Fabrics of Fairytale, da autora inglêsa Tanya Robyn Batt.
O Conto é uma adaptação da autora de um conto tradicional da Armênia, e que diante de novas pesquisas feitas pelo grupo, descobriu-se outras versões. Em algumas delas aparece um monstro, e em outras monges que aprisionam os homens. O príncipe também apresentados em várias versões, mas o que não muda é o papel da personagem Anaeet, uma mulher forte, inteligente, sabia e decidida, e a tecelagem, pois a Armênia tem forte influência cultural da tapeçaria persa, por conta de sua proximidade com a região e por séculos de invasões por povos do Oriente Médio e Ásia.
O Grupo Oficina de Bonecos, juntou o que acreditou ser o melhor de todas as versões e fez sua própria adaptação.

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A Montagem:
Cenário, bonecos e figurino foram desenvolvidos de maneira muito especial pela artista plástica Thaís Larizzatti, que tem como seu principal trabalho a Arte Têxtil, com pesquisas em tecelagem, tapeçaria e outras técnicas tradicionais e outras técnicas alternativas, muito trabalhados na contemporaneidade. Sendo assim, a artista procurou fazer com que bonecos e cenário fossem uma coisa só, para no final se tornarem o tapete que a história narra. A técnica para confecciona-los foi na verdade uma mistura de muitas existentes na Arte Têxtil como Aplicagem, Tecelagem e Patchwork. Por tradição a Tapeçaria é uma arte bidimensional ( hoje a tapeçaria contemporânea já traz muitos trabalhos no campo tridimensional) e os bonecos, adaptações de fantoches, tem apenas a frente, bem trabalhada e que são colocados por muitas vezes funcionando no tapete de fundo, fazendo alusão como se o boneco tivesse saído de um pedaço do tapete.
E porque contar esta história com bonecos? Já esta parte tem relação com a experiência do Ator-manipulador Anderson Gangla, que tem larga experiência em diversas técnicas de animação e para A Camponesa Perspicaz não poderia ser diferente. Em sua primeira contação de história, quis trazer os bonecos para essa montagem para enriquecer o jeito de encenar o conto, com uma dinâmica própria da linguagem dos bonecos para pode dar vida ao tapete da história.

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Ficha Técnica:
Criação: Grupo Oficina de Bonecos
Texto: Grupo Oficina de Bonecos
Fonte: BATT, Tanya Robyn. O Tecido dos Contos Maravilhosos, contos de lugares distantes. São Paulo, Editora Martins Fontes. 2010
Direção: Grupo Oficina de Bonecos
Ator-manipulador: Anderson Gangla
Cenário e Figurino: Thaís Larizzatti
Construção dos Bonecos: Thaís Larizzatti
Música: Anderson Gangla
( local da foto: SESC Vila Mariana)
Tempo de Duração: 40 minutos
Público: Infantil
Necessidades técnicas: tomada 110v e tomada 220v

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